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Quem foi que disse que a jornada seria fácil?

Quando criança ouvi muitas vezes minha vó e mãe dizerem: “rapadura é doce, mas não é mole não!”. Claro que naquela época não entendia o que isso queria dizer. Também ouvia um outro ditado que aparentemente era bem diferente, mas hoje percebo a semelhança que tem com o primeiro. Era o seguinte: “a vida não é um mar de rosas”. Agora paro, penso e concordo em parte com as verdades inseridas nessa sabedoria popular. A vida apesar de toda doçura tem também lições amargas e muitas vezes dolorosas; apesar de tão bela e delicada como uma linda rosa, mesmo contendo aromas suaves de alegrias aqui e ali, de quando em quando nos deparamos com os espinhos das tristezas, decepções e imprevisibilidades. Tudo que conquistamos geralmente é com persistência, determinação e dedicação. Consequentemente vem às dificuldades que irão requerer de nós ainda mais empenho, esforço e força de vontade. Parece que temos uma tendência natural de valorizar o que requer de nós mais determinação. Talvez por isso muit…
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Fazer silêncio para escutar-se, relembrar e perdoar-se

Mesmo quando a vida nos reserva algo difícil nós podemos ser felizes, ainda que pontuada por momentos de tristeza tais momentos não anulam o estágio da paz. Aceitar o eu que nos tornamos significa reconciliação consigo mesmo e isso requer que aceitemos o fato de sermos ambivalentes. Em nós existe amor, mas também ódio, apesar de todas nossas aspirações morais e éticas, também temos agressividade, ira, ciúme, sentimentos depressivos covardia e medo. Se não enfrentarmos as sombras que nos habitam iremos projetá-las no outro. Então, por não estarmos em harmonia conosco e reconciliados com nossa própria história, também encontraremos dificuldades para nos reconciliar com o outro. Perdoar não é fácil, porque quem perdoa não espera um retorno, ou seja, não pressupõe reciprocidade. Ao perdoarmos somos libertos do sentimento corrosivo de se achar injustiçado e às vezes somos libertos da auto piedade. Ainda que de fato tenhamos sido ofendidos não podemos nos aprisionar as dores vividas. O perdã…

Escutar-se

Existe diferença entre ouvir e escutar. O primeiro ouve sem dar a devida atenção e muitos parecem ter um botão de desligar, fazendo jus aquela expressão popular: “Ouvido de mercador” ou “entra por um ouvido e sai pelo outro”. O segundo por sua vez, escuta atentamente o que está sendo dito e até o que muitas vezes nem se percebe dizer. Escutar o outro não é simplesmente captar o que está sendo dito, mas entender o que é captado pela audição, de modo que se compreenda e processe a informação internamente. Contudo, escutar-se é um desafio, ainda mais diante dos ruídos e distrações existentes em nossos dias. Portanto, isso requer ainda mais esforço e disciplina, pois nos leva aos nossos medos, desejos, angústias, fantasias e nossos fantasmas, porém como já foi dito anteriormente, cabe a nós silenciar nossa mente. O ser humano sempre deseja esquivar-se da verdade dele mesmo. Na grande maioria das vezes não queremos nos escutar porque fugimos de nós e preferimos não nos confrontar com nosso …

Silêncio!

Quem nunca esteve num ambiente com uma plaquinha ou cartaz que tem uma imagem de uma pessoa com o dedo indicador sobre os lábios? Até nos vem à mente aquele som: “psiiiiii”. Em bibliotecas o silêncio é necessário para não atrapalhar a concentração, já em hospitais para não incomodar. Que tal fazer um “psiiii” para nossa mente? Exatamente, mandar ela aquietar e parar o barulho ensurdecedor que fazemos indo em busca de uma felicidade imposta por familiares e até pela sociedade. Todo esse anseio mexe com cada cômodo do nosso ser gerando em nós um constante estado de inquietude, pois parece que tudo nos falta. Este estado faltoso é que parece alimentar essa vida desenfreada que temos, nos movimentando o tempo todo pra fora sem percebermos os sutis movimentos dentro de nós. Às vezes precisamos de alguém que perceba nossa inquietação e nos diga que precisamos fazer silêncio em nós. Se de fato queremos viver, não podemos ficar apenas no ver a vida acontecer diante de nós sem nos percebermos n…

Silenciosamente

Como nos escutar se não silenciarmos? É impossível voltar-nos para dentro sem este exercício. Mergulhar em si é conectar-se com um estado de verdadeira paz. Talvez tudo o que precisamos para este estado de quietude interior é retirar-nos das queixas, das cobranças diárias, dos sentimentos de culpas, da agitação... Só saindo um pouco da rotina que nos deixa acomodados num estado de satisfação ou de constante lamento é que acharemos o essencial em nós e para nós. Vivemos um momento em que pessoas deixam sua pátria procurando abrigo em outra, por isso chamamos de refugiados, pois tudo que querem é o refúgio que seus países de origem não os deram. Entretanto, existem pessoas que não perderam seu lar exterior (pátria ou casa), mas perderam o lar interior, ou então perderam os dois. Assim, é comum sentir-se sem sentimento de acolhimento, sem proteção e perdido de si mesmo. Se queremos experimentar um ambiente de tranquilidade, antes, isso precisa ser um estado de espírito, dando um passo de…

Silêncio e Silêncios

Quem nunca ouviu aquele dito popular que diz: “quem cala consente”? De fato, há silêncios que falam por nós e até decidem por nós, mas também manifestam nossa omissão, de modo que o não manifestar uma opinião necessária, muitas vezes demonstra concordância com uma palavra, discurso ou ação. Entretanto, existem silêncios que expressam inquietude interior, tristeza, angústia e amargura, mas também existem silêncios que evidenciam serenidade e reflexões internas, pois o silêncio parece ser uma boa maneira de ficar quieto, mesmo que fora esteja um grande barulho. Sendo assim, é bom perceber o que de fato e de verdade tem alimentado nossos pensamentos. Quer saber do que sua mente está cheia? Fique atento ao que mais sai dos seus lábios. É cada vez mais constante escutar pessoas dizerem que procuram um sentido pra viver ou  buscam uma pessoa ideal, porém muitas vezes nem se sabe o que procura. Que busca é essa? O que de fato procuramos? Segurança, amor, status, independência... O quê? Às vez…

Fazer silêncio

Fazer silêncio fora é uma tarefa fácil, basta se retirar para um ambiente calmo. Embora fora esteja em silêncio, dentro pode está um constante ruído de pensamentos que vem e vão. Se não atentarmos para esse mundo que nos habita jamais perceberemos o que projetamos fora, caminhando numa constante busca a fim de preencher nossas faltas. Sendo assim, criamos grandes expectativas que aqui e ali se transformam em repetitivas decepções intensificando ainda mais velhas dores em novos momentos. Iniciar essa viagem para nosso interior é algo que demanda esforço e disciplina, pois além de autoanálise se faz necessário escutar a si mesmo. Isso requer atenção até mesmo para a maneira como enxergamos tudo a nossa volta, inclusive aquilo que falamos dos outros, porque o que falamos deles tem muito mais a ver conosco do que com eles de fato. O pior é que ao nosso redor muitas coisas cooperam para não silenciarmos, de modo que muitos acreditam que pacificar-se e aquietar-se não é algo possível, mas pe…